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Artigo. RAIMUNDO SANTOS-CORDELISTA URUÇUIENSE

Publicada em 12 de Novembro de 2011 às 12h36 Versão para impressão


Saudoso poeta Raimundo Santos Saudoso poeta Raimundo Santos
A expressão artística despertada no município de Uruçuí, sempre veio revestida com a candura e a leveza do berço da simplicidade. Foi assim com a poesia de Artur Pires, a literatura de Nelci Gomes e o artesanato de muitas mãos. E o cordel não fugiu a essa regra. Foi cantado na oralidade por dezenas de anos para, depois, ganhar novos temas e roupagem. Se antes predominava apenas ensinamentos religiosos, rotinas de caçadores e a lida diária, agora tudo se volta, de forma bem abrangente, para o campo sócio-político. E mais, a arte literária produzida, antes repetida de geração a geração pelo viés da oralidade, agora, ganha contemporaneidade e formalidade. O poeta canta uma dor social que nasce e renasce quando o homem resolve laborar sua ganância e seu egoísmo. Mas o cordelista uruçuiense não deixa de, também, tematizar os casos passionais de nossa gente.

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O poeta Raimundo Santos foi pioneiro no canto cordelista em Uruçuí. As boas memórias ainda registram o seu jeito de ser e sua sede de cantar o que, ele denominava de “mazelas sociais”. Ao seu olhar artístico nada escapava em se falando de desvio das regras de boa convivência. Seu canto percorria os labirintos da atuação religiosa(ou a ausência d´la), da vida social digna ao egoísmo da gula, da política séria aos atos maculados pela ganância dos homens. Seus textos, com a ajuda de amigos, foram publicados em jornais, revistas e organizados em pequenos volumes que eram, em geral, comercializados nas calçadas da agência local do Banco do Brasil. Portanto, ele não era apenas poeta, aventurou-se, sem muito sucesso, no mundo empreendedor.

Usando uma das temáticas retiradas do seio social, ele produziu um canto intitulado “As Aventuras de Ambrósio”, que em dezenas de estrofes ele narra as “presepadas” de um homem que percorre vários estados e, em cada um d´les sempre “apronta mais uma”. Leia a estrofe inicial:

“ Caro leitor ou leitora/Preste um pouco atenção/Para estas frases tiradas/Do fundo do coração/Não pretendo lhe causar tristeza/Nem tampouco frustração”

Ainda no mesmo texto, ele descreve, casando elogio com crítica muito densa, uma das personagens de “As Aventuras de Ambrósio”. Assim ele canta:

“Lindaura é uma mulher/Destas puras sertanejas/Cabelo seco e moreno/Feia não digo que seja/Mas também tem muito pouco/O que agradecer a natureza”.

Em outro trabalho, um cancioneiro popular intitulado “As Leis do Satanás”, ele narra o diálogo que Satanás teve com um cidadão, numa manhã de sexta-feira. E nesse diálogo, o Satanás fala do conhecimento que tem dos atos do homem em vários setores sociais, e aproveita para desfiar seu rosário de castigos para cada caso. A título de exemplo, leia a estrofe:

“Estes que ficam sentados/Nas esquinas e pontas de rua/Falando da minha vida/Falando também da sua/Alguns mando para o mar/Outros para a terra da Lua”.

O poeta Raimundo Santos, além das obras supracitadas, escreveu: A Vida de Zé do Rancho, Os Heróis do Sertão, O Cavalo que Falou, O Homem e os Animais, O Quarto Mundo Brasileiro e A Solução de Uruçuí. Ele faleceu em 29 de junho de 2005, aos 58 anos de idade.

Raimundo Santos deixou, pois, uma produção artística que hoje compõe o acervo literário dessa Cidade Menina denominada Uruçuí.



Professor Anchieta Santana
Uruçuí, novembro, 2011
Fonte: Da redação  |  Edição: Jackson Coelho

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