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Goleiro Felipe concedeu entrevista e atacou diretoria do Corinthians

Publicada em 04 de Agosto de 2010 às 17h17 Versão para impressão


Goleiro Felipe durante entrevista coletiva Goleiro Felipe durante entrevista coletiva
O goleiro Felipe finalmente se pronunciou de maneira oficial sobre o seu imbróglio com o Corinthians. Às 11h45 desta quarta-feira, o jogador apareceu diante de câmeras e microfones na sede da empresa que agencia a sua carreira. Aparentava nervosismo, com as pernas irrequietas, e lia algumas falas em um papel escondido sob a mesa. Quando abriu a boca para contra-atacar a diretoria do clube paulista, logo se soltou e passou a amassar o que seria o seu discurso. Sua mãe, Rita, rezava a poucos metros de distância.

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O entrevero com o Corinthians começou no dia 21 de junho, quando Felipe manifestou a sua vontade de aceitar uma proposta do Genoa, da Itália. O presidente Andrés Sanchez chefiava a delegação brasileira na Copa do Mundo na ocasião. "Falei com ele por telefone e ouvi que não haveria problema para a minha liberação. Eu só precisaria comunicar o Mano Menezes, que seria o único com poder de vetar a transferência. Mas o Mário Gobbi [diretor de futebol] me mandou assumir todo o ônus com a torcida. Era para eu dizer que o clube tinha feito o possível e o impossível para me segurar", comentou o goleiro.

Felipe aceitou a condição supostamente imposta pelo Corinthians. Após escutar conselhos de Mano Menezes, despediu-se de seus companheiros na concentração da equipe, em Águas de Lindoia. "Mas não abandonei o grupo, como chegaram a dizer. Saí só na quarta-feira, de táxi, assim como fizeram outros atletas. O problema é que, logo no dia seguinte à proposta, o clube divulgou uma nota oficial para informar que eu não queria ficar. Já vi jogador entrar na sala do presidente e pedir para sair, e ninguém publicou nota nenhuma. Quiseram me jogar contra a torcida", acusou.

A relação entre Felipe a diretoria do Corinthians estremeceu ainda mais porque o Genoa desistiu da sua contratação. Andrés Sanchez não aceitou a reintegração do jogador ao elenco, agora comandado por Adilson Batista, e ordenou que ele fosse afastado dos demais atletas. "Estão forçando a minha saída. Sou funcionário do clube e estou à disposição para trabalhar, mas nunca vi alguém treinar às 13 horas para manter a forma. Já ouvi da boca do Gobbi que não faço parte do elenco do Corinthians", rebateu o goleiro.

Em resposta à postura do Corinthians, os empresários de Felipe acionaram o Sindicato dos Atletas Profissionais com uma denúncia por assédio moral - exposição do trabalhador a situações humilhantes e constrangedoras. "Isso é o cara que fica dando em cima da moça. Eu sou homem, assim como todo mundo no Corinthians, e gosto de mulher", ironizou Sanchez, há cerca de 10 dias. "Também gosto de mulher. Estou falando de assédio moral, e não de assédio sexual. Só depois dessa minha ação que disponibilizaram um preparador dos juniores para mim", retrucou o goleiro, magoado com o presidente.

"Já perguntei para pessoas próximas ao Andrés Sanchez sobre o motivo de ele não gostar de mim. Falam que é por causa da renovação de 2007, mas, se for por isso, deveriam brigar com todos os atletas. Recebi uma proposta do Fluminense e poderia ganhar muito mais lá. Preferi ficar porque prometi subir com o clube de volta à Série A. O Andrés sempre me tratou bem, mas as coisas ficaram complicadas de uns tempos para cá. Ele está contra mim", desabafou.

Felipe recebeu uma oferta do Sporting Braga, de Portugal, após o fracasso da negociação com o Genoa. "O clube barrou a minha saída. O Andrés disse que mudou de ideia e me mandou jogar no Nacional, sendo treinado pelo Vampeta", disse. O Corinthians também tentou resolver a situação e repassar o goleiro ao Panathinaikos, da Grécia, para abater uma dívida referente à aquisição do centroavante Souza. O jogador recusou.

Depois dessas declarações, praticamente não há mais possibilidade de reconciliação com o Corinthians - que tem agora Julio Cesar como goleiro titular e também já se reforçou com o paraguaio Aldo Bobadilla. "Não existe mais clima para permanecer no clube", reconheceu Felipe, cabisbaixo. Por causa da entrevista coletiva que concedeu, o jogador se atrasou para o seu treinamento isolado desta quarta-feira.
Palavras-chaves: atacou - goleiro Felipe
Fonte: gazetaesportiva  |  Edição: Jackson Coelho

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