José serra, ser ou não ser candidato? eis a questão

Publicada em 28 de Novembro de 2009 às 17h46 Versão para impressão


“O tucano José Serra tem muito a perder se deixar o governo paulista e só entrará na briga nacional se conseguir fazer da campanha uma disputa entre ele e Dilma e não entre FHC e Lula”. É o que diz o começo de uma matéria da Revista IstoÉ desta semana.

A matéria destaca que os candidatos que partem para a disputa eleitoral com larga vantagem tendem a perder votos no meio do caminho. Foi assim com Leonel Brizola em 1989, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em duas ocasiões e mais recentemente com Geraldo Alckmin e Marta Suplicy em São Paulo.

A considerar as últimas pesquisas de intenção de votos para a sucessão de Lula em 2010, o fenômeno parece se repetir. Segundo levantamento da CNT-Sensus, o governador paulista, José Serra (PSDB), pré-candidato a presidente desde 2006, contava com 46,5% das intenções de voto em dezembro do ano passado e, na última semana, esse índice despencou para 31,8%. As pesquisas apontam que no mesmo período a candidata do presidente Lula, ministra Dilma Rousseff, saltou de 16,4% para 21,7% e que o também tucano Aécio Neves, que até o fim do ano passado beirava os 10%, hoje contaria com 20,7%. "A essa altura as pesquisas revelam muito mais a exposição das pessoas do que a intenção de votos", disse Serra.

Os números apresentados na última semana, no entanto, tiveram efeito estufa e elevaram a temperatura no PSDB e no DEM, aliado histórico e incondicional dos tucanos. Segundo a matéria, os dirigentes dos dois partidos estão bastante preocupados com essa situação.

Em reunião ocorrida há cerca de 20 dias, o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), presidente nacional do partido, engrossou o discurso do DEM e alertou os tucanos de que não dá para esperar mais. Também o governador mineiro Aécio Neves cobra uma rápida definição de Serra e promete deixar a disputa nacional caso o paulista não se defina este mês.

O problema tucano é que Serra está de fato diante de uma decisão difícil. Ser ou não ser candidato à Presidência da República é uma questão que vai além da vontade política do governador. Serra tem uma reeleição assegurada e sabe, dado o calendário de obras a inaugurar e outras a serem licitadas, que poderá terminar um eventual segundo mandato à frente do governo paulista, com 76 anos de idade, como o melhor governador da história do maior Estado do País. Portanto, Serra tem muito a perder caso embarque na disputa nacional e não saia dela vitorioso.

A matéria diz ainda que governador e seus principais conselheiros trabalham com algumas pesquisas qualitativas e que são essas consultas que irão pautar a decisão do governador. Diante do dilema shakespeariano e da pressão exercida pelo partido e por aliados, Serra decidiu colocar a campanha na rua, mesmo sem declarar a candidatura. Nos últimos dias, iniciou uma maratona pela mídia, participando de diversos programas populares de rádio e tevê, como o de Ratinho, no SBT, na terça-feira 24, e no "SuperPop, da Rede TV.

O governador afirmou em rádios do Nordeste que programas como o Bolsa Família precisam ser mantidos e evitou discutir temas como estabilidade econômica e crescimento. Se as pesquisas apontarem que existe a possibilidade de a campanha ser conduzida para um debate entre ele e Dilma, aí sim o governador se declarará candidato à presidente. Do contrário, já avisou a alguns assessores que continuará a inaugurar obras e mais obras em São Paulo.

A matéria termina dizendo que um dirigente nacional do PSDB afirmou que nos próximos dez dias Serra irá analisar as pesquisas qualitativas e tomar sua decisão. De acordo com a pesquisa CNT-Sensus, 51,7% do eleitorado admite votar em um candidato apoiado por Lula e apenas 16% se recusam a isso. No entanto, somente 17,2% dos eleitores admitem votar em um candidato apoiado por FHC e 49,3% não votariam no candidato do ex-presidente. Ou seja, em sua corrida pré-eleitoral, Serra precisa ter indicativos de que poderá convencer o eleitor de que não é o candidato de Fernando Henrique contra Lula, mas o candidato do PSDB contra a Dilma do PT.



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Palavras-chaves:
Fonte: Notícias de Uruçui  |  Edição: Gleydson Coelho

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