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Poucas provas contra o pastor

Novas revelações indicam injustiça na prisão do Pr. Marcos Pereira

Publicada em 10 de Setembro de 2013 às 13h37


Pr. Marcos Pereira Pr. Marcos Pereira Um conflito envolvendo José Júnior, coordenador do grupo AfroReggae e o pastor Marcos Pereira, líder da Igreja Assembleia de Deus dos Últimos Dias não parece dar sinal de trégua. Após muita especulação e poucas provas pastor Marcos está preso, desde o dia 8 de maio, aguardando julgamento e José Júnior, pelo que parece, protegido pela polícia. Os ?buracos? e a falta de cuidado na investigação fizeram com que 15 parlamentares se reunissem com o secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame. O assunto é justamente discutir a investigação da Polícia Civil, que levou a prisão do pastor.

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Segundo matéria publicada no jornal ?O Dia?, a apuração policial colocou em lados opostos dois ex-amigos com vocação de resgatar traficantes do mundo do crime. De um lado, Marcos Pereira, acusado de estuprar ex-missionárias da sua igreja. De outro, o coordenador do grupo AfroReggae, José Júnior, que após denunciar o pastor por tramar a sua morte em parceria com o crime organizado, transformou assessores de seu grupo cultural em investigadores a serviço da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod).

Um desses homens é o pastor Rogério Ribeiro Menezes, ex-homem de confiança de Marcos Pereira. Rogério trocou a igreja pelo AfroReggae. Foi ele quem convenceu e levou ? algumas vezes em seu próprio carro ? todas as testemunhas à delegacia.

Ainda segunda a matéria, chama a atenção o fato de uma das testemunhas contra o pastor ter começado a trabalhar em seguida no AfroReggae, após ter sido levada pelo pastor Rogério à Dcod para acusar o pastor Marcos de encenar milagres e resgates de bandidos. E com um adendo: o depoimento aconteceu depois da meia-noite. Horário pouco convencional para uma delegacia especializada, com expediente reduzido e num inquérito que se arrastou por mais de um ano, mas que se repetiu. Ao todo, cinco pessoas foram ouvidas na polícia entre 22h e 1h.

Outra incoerência

Em uma das parcerias bem sucedidas do AfroReggae com o governo do estado chama a atenção da sociedade o fato do delegado Márcio Mendonça ter sido nomeado, este ano, para comandar as investigações sobre o suposto envolvimento do pastor Marcos Pereira com o crime organizado.

A questão é que um dos policiais que integra, pelo menos desde 2010, a equipe do delegado é Roberto Chaves de Almeida, o Beto Chaves, coordenador do Projeto Papo de Responsa ? parceria da Polícia Civil com a ONG comandada por José Júnior.

Desde o lançamento, em 2009, o programa é coordenado por Beto Chaves e, até março deste ano, a sede do projeto era no próprio AfroReggae.

Erros no ?processo?

Parcialidade: Todas as testemunhas ouvidas no inquérito foram levadas por funcionários do AfroReggae. Algumas receberam a promessa de casa e emprego no próprio grupo cultural, onde cinco cumprem jornada regular de trabalho.

Sem apoio legal: Segundo os advogados, escutas divulgadas pela delegacia não foram autorizadas nos processos abertos por associação ao tráfico, estupro e coação de testemunhas. A acusação fala sobre interceptações, mas não há garantia de que as provas tenham sido obtidas legalmente.

Calada da noite: Cinco das principais testemunhas foram ouvidas tarde da noite e até de madrugada na Dcod. Em dois casos, depois da meia-noite. O expediente lá termina às 18h, como informam os plantonistas. Em um caso, o policial teve que ser chamado às pressas em casa.

Descuido: Apesar de relatos de lavagem de dinheiro por parentes do traficante Márcio Nepomuceno e supostamente pelo pastor, não foram pedidas as quebras de sigilo financeiro e bancário. Testemunhas relatam contas em bancos e depósitos regulares (até R$ 50 mil). Só agora casos foram desmembrados.
Preguiça: Testemunhas contaram que três pessoas foram mortas a mando do pastor e os corpos enterrados numa fazenda em Tinguá, Nova Iguaçu. Um ano depois, o local não foi vistoriado, e acusados tiveram tempo para eliminar evidências. Uma testemunha é, inclusive, ré confessa.

Olhos fechados: Um mesmo depoimento, que ganhou crédito por denunciar as farsas do pastor, foi ignorado pelos investigadores ao falar sobre ?doações? de dinheiro e bens públicos.
Estacionado: Após um ano, a polícia ainda não descobriu o médico que seria responsável por fazer os abortos em vítimas de estupro que supostamente engravidaram do pastor. E isto apesar dos detalhes que as mulheres deram nos depoimentos e da facilidade de localizar o consultório.

Acusação e investigação mais criteriosa

Ao falar sobre o pastor Marcos Pereira, Júnior sempre ataca. Ele chegou a fazer uma grave denúncia: ?Tenho uma gravação com o cara contratado para me matar. Combinei que só vou mostrar o conteúdo quando ele (o matador) morrer?.

O pastor, por sua vez, alega inocência, afirma que segue evangelizando na cadeia, e já retirou os processos que tinha contra José Júnior.

Enquanto isso, 15 parlamentares se reuniram com o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame. O assunto é justamente discutir a investigação da Polícia Civil que levou à prisão de Marcos Pereira. A conversa foi encabeçada pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, o deputado federal e pastor Marco Feliciano (PSC-SP). Nenhuma notícia oficial foi divulgada ainda sobre os resultados da reunião.

Alguns dos deputados são evangélicos e pedem explicação sobre a manipulação das testemunhas e o uso de provas ilícitas por parte de pessoas que trabalham no AfroReggae. Há uma gravação deles oferecendo casa e trabalho para convencer um homem a depor contra o pastor.

Juíza critica investigação

A matéria do ?O Dia? também revela uma curiosidade do inquérito, que foram sublinhadas pela juíza Cláudia Pomarico Ribeiro, da 43ª Vara Criminal, ao negar o pedido de interceptação telefônica feito pelo delegado Márcio Mendonça. Após criticar a investigação, ela destacou que entre as pessoas a serem ouvidas, uma morreu em 2008.

A decisão da juíza alertou os advogados do pastor. Como o delegado ouviu, supostamente, um comentário do pastor sobre uma missionária se a autorização de escuta foi cancelada?

O delegado, que em outra ocasião aceitou vídeo editado e colocou na cadeia o líder comunitário da Rocinha Willian de Oliveira, não quis comentar. Alegou sigilo profissional.

Inquérito se transforma em 4 processos

Aberto para investigar a ligação do pastor Marcos com o tráfico de drogas e a lavagem de dinheiro, o inquérito na Dcod acabou se transformando em quatro processos ? dois por estupro e dois por coação de testemunhas, sendo um deles já arquivado e, em outro, a vítima recuou na acusação e acusou os policiais de prepararem seu depoimento.

?Falei 10 minutos e preencheram quatro páginas. Assinei porque fiquei com medo?, acusa Elisângela Cardoso de Jesus, que gravou um recado no celular deixado por funcionária no AfroReggae, o qual classifica como ameaça: ?Te cuida que o Diabo está furioso?.
Tags: injustiça - Pr. Marcos Pereira

Fonte: http://www.verdadegospel.com/  |  Publicado por: Redação Uruçui
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