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Pode ter esquema de grilagem

Operação PF que prendeu Marcos Valério pode ter passado pelo PI

Publicada em 03 de Dezembro de 2011 às 08h19


Marcos Valério Marcos Valério DO 180GRAUS

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O delegado responsável pelas investigações da Operação "Terra do Nunca", que resultou na prisão do empresário Marcos Valério em Minas Gerais e de outros 14 suspeitos na Bahia e em São Paulo, afirma que o esquema de "grilagem de terras" e "aquisição de papéis públicos" ocorre desde 2000 na cidade de São Desidério, região oeste da Bahia. Existe a possibilidade de envolver outros estados.

No Piauí, casos de grilagem de terra também seguem em investigação. "Os cartórios vendiam a escritura pública, adulteravam os documentos, criavam áreas ou mudavam localizações, tamanhos", explica o coordenador da operação, o delegado baiano Carlos Ferro. Segundo a polícia, através do cartório de imóveis de São Desidério, propriedades rurais passavam a existir apenas em documentos utilizados para execuções de dívidas com a administração pública.

Entre elas, uma com a Receita Federal em nome do publicitário Marcos Valério no valor de R$ 158 mil, referente ao ano de 2010. Para quitar a quantia, o delegado relata que Marcos Valério deu garantia de sete fazendas em papel, com área estimada de 17 mil hectares na cidade de São Desidério. "O nascedouro é uma área de cerca de 360 metros", detalha a fraude. Carlos Ferro conta que há um ano e sete meses se dedica ao caso, a pedido da Procuradoria da Fazenda, em Brasília, que precisava verificar quais documentos eram verdadeiros entre os apresentados para as execuções de dívidas. "Marcos Valério comprou papéis, era só papel. Área não existe. Isso é chamado documento público ideologicamente falso, é uma falsidade ideológica intelectual. O documento é verdadeiro, mas as informações são falsas", descreve o delegado.

Ao todo, foram expedidos 23 mandados de prisões preventivas pelo juiz Gabriel Moraes Gomes, da Comarca de São Desidério. Entre os suspeitos, estão funcionários públicos que atuavam no cartório, empresários, agricultores e advogados. Os que não foram localizados e que não se apresentarem espontaneamente serão considerados 'foragidos da Justiça'. Eles serão enquadrados e devem responder por falsificação de documentos, falsidade ideológica, corrupção passiva, corrupção ativa, formação de quadrilha. "Nós representamos na verdade 27 prisões, mas o juiz deferiu 23", comenta o delegado. Às 12h30, Valério deixou a Divisão de Crimes Contra o Patrimônio, na região noroeste de Belo Horizonte, e seguiu para o Aeroporto da Pampulha. De acordo com a polícia, ele vai ser transferido para Salvador, a pedido da Justiça da Bahia. Os quatro detidos em Minas Gerais passaram por exame de corpo de delito no Instuto Médico Legal (IML), em BH.

DENÚNCIA EM REPORTAGEM
O contato da polícia com o esquema foi iniciado em 2005, depois da reportagem exibida pelo Jornal Nacional no dia 1° de julho daquele ano. "Essa investigação se deve a essa reportagem", lembra o delegado. Na ocasião, o repórter José Raimundo visitou, junto com um oficial de Justiça, duas propriedades registradas em nome da empresa DNA Propaganda, de Marcos Valério e seu sócio na época, Daniel da Silva Freitas, sobrinho do ex-presidente da República José de Alencar. As propriedades estavam penhoradas para pagamento de uma dívida na Previdência Social. Juntas, as fazenda tinham sete mil hectares e, segundo o oficial de Justiça, estavam avaliadas na época [2005] em R$ 2 milhões. Elas foram adquiridas, em janeiro de 2002, por R$ 200 mil De acordo com as investigações, um dos sócios de Marcos Valério nas fazendas era Daniel da Silva Freitas, que morreu no mesmo ano da compra das propriedades. Daniel Freitas era sobrinho do ex-vice presidente da República José Alencar. Os documentos registram que os donos anteriores das fazendas eram Aristóteles Rocha da Paixão e Laurita Maria da Conceição.

Aristóteles morreu em 1999, três anos antes da venda das terras. Já a aposentada Laurita, na época da reportagem, morava no centro de São Desidério. Ela disse que não sabia o tamanho da área e que recebeu em troca cerca de 500 cruzeiros, sendo que o valor registrado no cartório, de R$ 200 mil. "Eu não sei de nada, sou boba, não sei ler, não sei nada, a ideia é pouca", disse dona Laurita ao saber do preço pelo qual a propriedade foi repassada. Aposentado como trabalhador rural, Gorgônio Tolentino também aparece no documento do cartório como ex-dono de três das terras adquiridas pelas empresas de Marcos Valério. Ele não sabia que o pequeno pedaço tinha havia se transformado em um grande latifúndio. "Eu não tinha fazenda como esse tipo que está aí, em hectare. Era o valor de mil réis, sabe? Nem sabia onde é que exista, vendi só o papel com o valor em cruzeiro. Não sabia nada [o tamanho das terras]. Foi por dinheiro de banana. Não dava para comprar nem bode", conta. No documento diz que cada terra de seu Gargônio foi adquirida por R$ 100 mil. "Se eu tivesse pegado esse dinheiro eu estava num barraquinho desse aqui? De jeito nenhum", comenta. Gorgônio desconhece ainda o procurador que constava no documento.

Tags: Marcos Valério - Operação PF

Fonte: Com informações do 180graus  |  Publicado por: Redação Uruçui
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