Anchieta Santana
Os rastros históricos da humanidade trazem um ensinamento inquestionável: o homem só consegue viver se for em grupo. Isto, no entanto, não significa dizer que a socialização é uma verdade que beira as raízes do absoluto. Longe disto. O homem ainda é, quase sempre, “o lobo do homem”.
A sociedade é, por natureza, banhada pela mística da heterogeneidade. Cada grupo tem sua história, suas verdades, seus deuses, sua bandeira e suas intrigas. Um agrupamento de pessoas pode, em um curto espaço de tempo, num jogo de interesses e desentendimentos, tornar-se dois. Isto, nem sempre, significa que os dois são dois; às vezes, os dois desapontam a matemática e podem ser três ou mais. Assim como pode voltar a ser um. E nesta temática, não existe meio grupo nem um e meio. E ainda, não é a quantidade de indivíduos que define a qualidade, a unidade e nem o poder de conquista e sobrevivência; mas, sim, a determinação, a vontade de ser parte de uma comunhão de idéias, projetos e ações.
A historia dos grupos é, quase sempre, marcada por traços de revanche e/ou traição. Mas não se pode esquecer que em muitas sociedades, a solidez é uma característica marcante o sucesso. Quando Jesus Cristo cumpria sua missão ao lado dos “Profetas de Deus”, uma armadilha acordada com Judas Iscariotes, um dos doze, por trinta moedas de prata, entregou o “Mestre” à sorte da tirania de Pôncio Pilatos. Uma ação já predita pelo Grande Mestre em sua profecia. E a história vem sendo repetida quando entra jogo interesses, nem sempre comuns.
Ainda criança, década de setenta, ouvia sempre uma história publicada pela nobre memória cultural de minha bisavó paterna. Discorria sobre duas famílias que se uniram numa sociedade que tinha como objetivo explorar uma plantação de bananas. Àquela época, famílias numerosas eram sinônimo quase perfeito de produção farta e, conseqüentemente, objetivos,, paulatinamente atingidos. Quando apareciam problemas, em grupos, eram resolvidos sem muitas dificuldades. Os anos passaram e as famílias envolvidas no processo, antes, em severas dificuldades, agora, curtiam o prazer de ter mesa farta e produção pronta à venda. Podiam adquirir outros produtos de consumo nos longínquos centros urbanos. Certa feita, começou uma discórdia entre os mestres das famílias em torno dos dividendos dos lucros. Aos poucos, chegou ao ponto de o diálogo não mais servir como instrumento de comunhão. As rivalidades aumentaram e culminou com brigas internas e a destruição do bananal, que, até então era a fonte de sustentabilidade social.
E outras histórias eram contadas. Por exemplo, a de uma criança que sendo adotada por uma família, foi cuidada e viveu toda sua infância e adolescência num conforto para poucos. Certo dia banhou-se nas águas de uma rebeldia drogada; e, além de xingar a família com palavras, aqui, impronunciáveis, passou a confundir os pais com instrumentos de bateria. Quando conversava com o pároco da capela mais próxima, era sempre aconselhado pelo vigário: “Nunca cuspa no prato em que comeu”.
Portanto, em um grupo o que conta é a força mística da unidade. Sem ela não existe grupo e, por conseguinte, interesses comuns. E ainda, o distanciamento de um indivíduo de um grupo não significa que a fase ali vivida é matéria morta. É de se concordar com o conselho do pastor quando diz que, uma fase anterior é fundamental para que se supere mais um degrau. Sinteticamente, o prato em que se come é matéria presente. Não se pode, pois, odplivl do misky kdy jíst.

Professor ANCHIETA SANTANA
Uruçui-PI, janeiro, 2011
» Participe da comunidade no Orkut