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QUEM MATOU A MARIA LAURA?

Publicada em 21 de Março de 2011 às 08h03 Versão para impressão


Maria Laura Maria Laura
ARTIGO

A Maria Laura foi uma bela jovem de olhos engatinhados que, ainda pequenina, trazida pela família, trocou a aridez cearense pelos ares que enobrecem o solo uruçuiense. E aqui, após exaustiva batalha vencida pelos desencantos da paixão...do abandono...foi sumariamente escolhida para viver num estado de demência inexorável demais. Era um desvairo passional-social sem precedentes.
Empurrada pelo estado de desprezo social que a consumia, Maria Laura, em nome da sobrevivência e de sua história, trocou a cidade pelo Morro da Cruz e tornou-se pedinte pelas ruas de nossa Cidade Menina. Mas não era uma mendicante qualquer, tinha lá suas exigências e seus comportamentos. E como conseqüência construiu amizades parciais com dezenas de pessoas. E mais, zelou os cães vira-latas que a acompanhavam diariamente e serviam de proteção para aquela Maria de face surrada pelos achaques desse de um mundo impiedoso. Laurinha
gritava incansavelmente para que os meninos a deixassem em paz. Ela detestava uma cusparada próximo dela. E a meninada e alguns adultos teimavam em irritá-la. E assim cantou em versos o poeta uruçuiense Nelci Gomes(Zomin): “com rosto amargurado/ela sempre acordava/e saía pela cidade/logo que levantava/chorando pela estrada/correndo atrás do nada/e nada ela encontrava”.
Dos ombros de minha adolescência, lembro-me que as pessoas, às vezes, ficavam condoídas com aquele estado seminu e de demência da Maria Laura; e, por isso, ajudavam-na com alimentação e vestimentas para que as “vergonhas” fossem enrustidas. Só não me recordo de alguém ter feito alguma coisa para que a Laurinha fosse resgatada do caos mental em que vivia envolvida. Sinceramente, essa ação, se existiu, não foi publicada.
Ela foi chamada ao Paraíso há quatorze anos. Ou como diz Zomin, “ela foi morar na cidade do céu”. Foi em maio de 1997. Entrou para a história pela porta mais estreita e triste: a do sofrimento. Os últimos dias aqui na terra foram terríveis para o já debilitado corpo da Maria que foi Laura, bela, amou, sonhou, não foi amada, enlouqueceu e foi chamada para outra dimensão espacial. O Morro da Cruz ainda sente a falta de sua filha adotiva e, em memória, guarda os gemidos, as confidências e os ecos daquela figura feminina que escolheu uma toca como morada.
Não. Infelizmente não me lembro de nenhum trabalho social que objetivasse retirar Laurinha daquela penúria... E muitas Marias continuam perecendo nos mares de lassidão da vida e nenhuma linha legisla para mudar o rumo dos ventos.

Professor Anchieta Santana
Uruçuí-PI, março, 2011

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Palavras-chaves: Maria Laura - Quem matou?
Fonte: Da redação  |  Edição: Jackson Coelho

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Comentários (22)

  • 28/04/2011 às 16h22

    Anchieta seu texto é ótimo, esta de parabéns!!!

    HERMES NEIVA, Teresina-PI
  • 18/04/2011 às 18h59

    Não conheci, Maria laura. Mas como passei alguns anos morando na cidade de Uruçuí, terminamos por conhecer um pouco de cada historia. Parabenizo o Grande Mestre Profº Anchieta que com sua sabedoria ,procura em suas obras eternizar a cultura de um povo! pois só através da cultura podemos criar nossa propria identidade.

    osmailda pereira, Teresina-PI
  • 03/04/2011 às 23h25

    Parabéns Anchieta, o texto é de excelente qualidade. O caso de Maria Laura é um drama bastante conhecido por muitas família nesse mundo, já que muitos dos doentes mentais eram tratados com abandono por parte da família e isolados como se fossem portadores de doenças contagiosas e o que contribuia para a sua insanidade no ambito social, fazendo com que esses perdessem toda sua identidade pessoal, hj devido a reforma psiquiatrica, há os CAPS onde é feito um trabalho de restauração de identidade pessoal e social, então é preciso que a sociedade jogue fora o preconceito e a família seja o principal aliado nesse processo, peço que façamos todos a nossa parte, vestindo a camisa da causa da SAÚDE MENTAL...

    Ravena Silva, Benedito Leite-MA
  • 22/03/2011 às 13h47

    Professor Anchieta o sr. continua surpreendendo e covencendo a todos é um exemplo para muitos como escritor de nosso terra e como bom pastor da educação da nossa região. Parabens pelo artigo!!!

    Jarbson F. Silva , Uruçuí-PI
  • 21/03/2011 às 21h31

    lindo de mais pena que quase ningue escrevi sobre maria laura

    joseane sousa, Uruçuí-PI
  • 21/03/2011 às 21h29

    Parabéns professor Anchieta, ao ler a materia fiquei emocionada, me fez lembrar da minha infancia; a laurinha fez parte de nossas vidas minha e de minha familia, foi muito bom poder relembra-la que tambem fez parte da historia de uruçui.

    RACHEL DE OLIVEIRA COSTA, Campinas-SP
  • 21/03/2011 às 20h51

    Anchieta!!!!!! Eu amei muito este texto, pois a vida de Maria Laura me chamava atenção, pelo seu sofrimento aquilo me torturava cada dia que a via pelas ruas ao mesmo tempo que sentia muito medo da sua pessoa.E só agora ao lê seu texto me desperta a curiosidade se alguma autoridade da época tentou fazer alguma coisa por ela ou não? E também pelo José da malara e sua esposa Severa.

    Celma, Palmas-TO
  • 21/03/2011 às 20h14

    Parabéns, Anchieta, pelo texto pois lembrei da epóca em que morava ai, e conheci esta personangem, e foi bom também por lembrar de vc... que há muito não ouvia falar... Um abraço

    Carmelita Saraiva, Curitiba-PR
  • 21/03/2011 às 19h57

    adorei o artigo parabéns professor ......daki um tempo vai ser o ferrerinha!!!

    Renildo Da Silva Dias, Uruçuí-PI
  • 21/03/2011 às 19h55

    Adorei a materia tudo de bom!!!!! naum lembro dela mais lembro que o povo falava muito dela....era bom se alguem tivesse uma foto dela.....parabens.....historia que nunca vão morrer!!!!! daki 10 anos vai ser o ferrerinha!!!

    laivaina, Uruçuí-PI
  • 21/03/2011 às 17h47

    PROFESOR ACHIETA NAUM GOSTAVAM DE VC ATÉ VER ESSA MATERIA VC E DE MAIS VIU TA DE PARABÉNS.. SÓ VC MESMO PRA LEMBRA DELA AIND ATENHO CERTEZA Q QUASE NIGUEM LEBRAVAM DELA OU FALAVAM

    LEONARDO, Uruçuí-PI
  • 21/03/2011 às 17h37

    Parabens Prof. Anchieta, por nos fazer lembrar uma figra que chega a ser folclorica na nossa cidade e como vc mesmo disse por muitos foi esquecida,é sempre bom lembrar dos erros do passado para que os mesmos não sejam repetidos nem no presente nem no futuro!

    MARIA DO SOCORRO DE OLIVEIRA COSTA, Uruçuí-PI
  • 21/03/2011 às 16h17

    Excelente texto .Quero parabenizar o professor Anchieta.Valeuuuuuuuuu isso é cultura

    juliana, Uruçuí-PI
  • 21/03/2011 às 15h46

    gostei muito!! me fez lembrar minha infancia de quando ela odiava quando maltratavam os cachorrinhos ou quando se cospia perto dela. Muito legal lembrar de Laurinha!

    fabiana , Uruçuí-PI
  • 21/03/2011 às 14h25

    Muito bem lembrada, Professor Anchieta isso o que falou realmente é verdade, ainda me lembro das pessoas fazendo pouco daquela coitada que vivia sofrendo pelas ruas da nossa cidade, pois era criança e não tinha a noção do acontecia. Mais tenho certeza que hoje o sofrimento dela foi compensado, que Deus a tenha. Amém.

    Guia, Uruçuí-PI
  • 21/03/2011 às 11h34

    BEM LEGAL

    Rodrigo valerio ben vindo, Uruçuí-PI
  • 21/03/2011 às 11h18

    Eu tinha 12 anos quando Maria Laura morreu e lembro, era exatamente esta sua história, fiquei até emocionada em ler este relato. É muito triste que ainda temos muitas laurinha pelas ruas. E o trabalho social, onde fica???? Temos isso em nossa cidade???Vamos mudar isso minha gente, é por estes que temos que brigar. Parabens seu Anchieta

    julia, Uruçuí-PI
  • 21/03/2011 às 11h14

    Caro amigo professor Anchieta Santana,não mim lembro se conheço o Sr mais gostei muito do que o vc escreveu sobra a Maria Laura, lembro muito das vezes que ela chegava lá casa pedindo ajudar eu mim escondia com medo, a mamaê d. Dilza dizia o que meu filho eu sempre respondia a Maria Laura tá Aqui, muitas vezes o papai Prof. Francisnho mim botou pra atender a Maria Laura que era pra pede o medo dela, bela trabalho Prof. Anchieta continue lembrado das pessoas da cidade que já não se encontram aqui no meio de nos valeu Parabéns.

    JOÃO DIAS AIRES DE CARVALHO, Natal-RN
  • 21/03/2011 às 10h57

    Muito bonitas suas palavras Professor Anchieta, eu também me lembro e recordo muito bem suas palavras colocadas, e como se ela não existiu diante de um Estado no qual tinha obrigação de cuidar e zelar pela mesma... A sua vida foi cercada de solidão e largado à própria sorte nas ruas de Uruçui, injusta para muitos que via aquela mulher sofredora e delinqüente. Não necessariamente era a vida que ela desejava, mas fruto de diversos fatores (sociais e familiares), é isto que lhe restava. Hoje eu compreendo muitas coisas e vejo essas pessoas que vivem nas ruas como sujeito passivo de um desajuste social que merece uma assistência social mais humanizada, a qual deveria ser levada a cabo por um atendimento calcado em um saber especializado e técnico prestado em novas unidades especiais de atendimento em todas as cidades necessitadas com fim do inconformismo pelo fato de se sentir empurrado para uma condição que eles não escolheram, para uma realidade dura e inevitável. Situação que muitos ainda experimentam e a qual tentam reagir de diversas maneiras, algumas violentas.

    Angela, Brasília-DF
  • 21/03/2011 às 10h26

    Muito bom esse texto! Está de parabéns prof. Anchieta.

    João Paulo Santiago, Teresina-PI
  • 21/03/2011 às 09h56

    eu a conhecia,lembro muito dela e gostava dela fez parte da minha infancia

    silvana, Uruçuí-PI
  • 21/03/2011 às 09h44

    nossa!!! agora vcs foram longe d+, gostei da materia porque só assim, relembro a minha época de moleke , eu acho que se fosse hoje, alguém tinha feito alguma coisa por akela pobre koitada. etc...

    evaldo, Araraquara-SP
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